April 26, 2025
Licença-Paternidade em 2027: o guia definitivo para o RH não errar mais
A licença-paternidade mudou. Entenda as novas regras, prazos e como preparar o RH para evitar riscos e garantir conformidade.

A lei mudou, e a maioria das empresas ainda não sabe o que fazer a respeito
Você já imaginou ser demitido logo depois de se tornar pai? Ou descobrir que a empresa onde trabalha estava aplicando as regras erradas da licença-paternidade há anos?
Isso é mais comum do que parece. E com as mudanças trazidas pela Lei 15.371, sancionada em março de 2026, o cenário ficou ainda mais complexo para os times de RH que não estiverem preparados.
A boa notícia é que, com o conhecimento certo, o RH pode transformar essa mudança em um processo seguro, auditável e alinhado à nova legislação, sem surpresas, sem passivos e sem retrabalho.
Neste artigo, você vai entender tudo o que mudou, o que ainda está valendo e o que o seu RH precisa fazer agora.
O que é a Licença-Paternidade e por que ela importa tanto para o RH
A licença-paternidade é um direito garantido pela Constituição Federal (art. 7º, XIX), que assegura ao trabalhador o afastamento remunerado em caso de nascimento de filho, adoção ou guarda para fins de adoção.
Na prática do RH, isso envolve quatro pilares fundamentais:
Classificação correta do afastamento;
Controle rigoroso de prazos;
Manutenção da remuneração integral;
Registro e envio adequado ao eSocial.
Apesar de ser um processo recorrente, exige padronização e conferência constante para evitar inconsistências que podem gerar autuações fiscais ou processos trabalhistas.
O que mudou com a nova lei em 2026
A alteração mais recente foi publicada em março de 2026 com a Lei 15.371. A partir de 2027, será ampliado o período da licença, criado o salário-paternidade e estendido o direito a diferentes categorias de trabalhadores.
Essa é a mudança mais estrutural dos últimos anos. E o principal ponto que o RH precisa entender é o calendário progressivo de ampliação dos dias de afastamento.
Quantos dias de Licença-Paternidade a partir de agora?
A quantidade de dias da licença-paternidade vai aumentar progressivamente nos próximos anos: 5 dias atualmente (podendo chegar a 20 para participantes do Programa Empresa Cidadã), 10 dias a partir de 2027, 15 dias a partir de 2028 e 20 dias a partir de 2029.
Importante: a ampliação para 20 dias em 2029 está condicionada ao cumprimento das metas fiscais previstas no Anexo de Metas Fiscais da LDO. Se a meta não for atingida, a entrada em vigor é postergada para o segundo exercício financeiro seguinte ao cumprimento da meta.
O Salário-Paternidade: o que é e como funciona
Essa é uma das maiores novidades, e também uma das que mais gera dúvidas nas equipes de RH.
Além da extensão do período, a lei cria o salário-paternidade no Regime Geral de Previdência Social (RGPS). O benefício garante renda durante o afastamento e segue modelo semelhante ao salário-maternidade: pode ser pago diretamente pelo INSS ou pela empresa, com posterior compensação.
O valor varia de acordo com o perfil do trabalhador:
Empregados com carteira assinada: valor integral;
Autônomos e MEIs: calculado com base na contribuição previdenciária;
Segurados especiais: equivalente ao salário mínimo.
Para quem vale a nova lei? Muito mais gente do que você imagina
A legislação alcança diferentes perfis de trabalhadores: empregados com carteira assinada (CLT), microempreendedores individuais (MEIs), trabalhadores domésticos, trabalhadores avulsos e segurados especiais.
Essa ampliação para categorias fora do regime formal é uma das principais novidades e exige redobrada atenção do RH na classificação correta de cada trabalhador.
Estabilidade para pais: a regra que muita empresa vai ignorar, e vai se arrepender
A Lei 15.371 assegura ao trabalhador estabilidade no emprego desde a comunicação do afastamento ao empregador até um mês após o término da licença. Se o trabalhador for demitido, a indenização será calculada conforme o período de estabilidade não respeitado.
Isso muda completamente a forma como o RH precisa registrar e monitorar os afastamentos. Um colaborador demitido durante esse período pode abrir ação trabalhista com base na estabilidade, e a empresa não terá como contestar se os registros estiverem incorretos.
Quando a licença pode ser estendida
Nem todo afastamento segue o prazo padrão. A licença pode ser estendida em situações como internação da mãe ou do bebê, quando o pai for o responsável exclusivo pelos cuidados, e em casos de paternidade de crianças com deficiência.
Licença-Paternidade agora é auditável
Essa é uma mudança que muda completamente o fluxo de trabalho do RH.
A licença-paternidade passará a ser enviada para o eSocial. O colaborador terá de apresentar documentação comprobatória para o afastamento, e o trabalhador não poderá exercer atividade remunerada durante o período de licença.
O que o RH deve fazer agora: 5 ações imediatas
Com tantas mudanças, o time de RH precisa agir antes que o novo ciclo comece.
A entrada em vigor da nova lei exige que o RH: atualize os procedimentos internos de concessão de licença; garanta o envio correto ao eSocial com os eventos e prazos adequados para cada situação; oriente líderes e colaboradores sobre os novos direitos; verifique o enquadramento dos trabalhadores, especialmente MEIs, domésticos e avulsos; e monitore as regulamentações complementares, pois a implementação progressiva pode vir acompanhada de instruções normativas e portarias.
O impacto vai além da legislação
Entender a licença-paternidade como obrigação legal é olhar apenas para um lado da moeda.
Estudos internacionais indicam que licenças mais longas contribuem para o fortalecimento dos vínculos familiares e para maior satisfação dos colaboradores, o que tende a reduzir a rotatividade.
Para a empresa, garantir o cumprimento correto da lei não é apenas uma obrigação legal: é também uma oportunidade de fortalecer a cultura e demonstrar cuidado com as pessoas.
Quem se preparar agora vai sair na frente
A nova licença-paternidade representa uma virada na relação entre pais trabalhadores e suas empresas. Para o RH, o desafio é transformar essa mudança em um processo claro, padronizado e seguro, antes que as novas regras entrem em vigor.
Com processos bem documentados, eSocial configurado e equipe treinada, o RH passa a ser um aliado estratégico nessa transição, e não um apagador de incêndios.
Não espere a lei te pegar de surpresa. Atualize seus processos agora e garanta que sua empresa esteja em conformidade em cada fase da nova licença-paternidade.



